Estudo procura estabelecer prioridades na conservação da biodiversidade cavernícola

15/01/2017

Publicado originalmente no SBE Notícias 357 de 15/01/2017. Traduzido por Lucas V. F. Malafaia. 

Cavernas muitas vezes representam desafios significativos para projetos de mineração, tendo em vista que muitas vezes elas abrigam muitas espécies endêmicas e ameaçadas e, por isso, devem ser protegidas. Discussões recentes entre universidades, associações, agências de proteção ambiental e parceiros da indústria e mineração destacam problemas com a atual legislação brasileira para a proteção das cavernas.

Enquanto o processo de licenciamento é longo, complexo e complicado, os critérios utilizados para atribuir categorias de relevância às cavernas são, muitas vezes, subjetivos. Com a relevância sendo determinada, principalmente, pela presença de espécies troglóbias e sua raridade já presumida.

No entanto, a raridade destas espécies é questionável, boa parte das espécies permanece não identificada e os intervalos de distribuição muitas vezes são mal conhecidos. (Temática já abordada no texto do SBE Notícias N° 349 que fala justamente sobre a dificuldade de se medir biodiversidade em ambientes subterrâneos)

O artigo Reconciling Mining with the Conservation of Cave Biodiversity: A Quantitative Baseline to Help Establish Conservation Priorities (Reconciliando a mineração com a conservação da biodiversidade cavernícola: uma base quantitativa para ajudar a estabelecer prioridades de conservação – em tradução livre) escrito por Rodolfo Jaffé , Xavier Prous (SBE 1640), Robson A. Zampaulo (SBE 1747) e outros pesquisadores da Vale e do Instituto Tecnológico da Vale utilizam dados de 844 cavernas ferruginosas obtidos de diferentes relatórios espeleológicos para a região de Carajás-PA (vide foto ao lado), um dos maiores depósitos de minério de ferro de alta qualidade do mundo, avaliando a influência das cavernas de diferentes características sobre quatro pilares de biodiversidade (riqueza de espécies, presença de troglóbios, presença de troglóbios raros e presença de populações residentes de morcego).

 

Eles examinam como o esquema de classificação de relevância vigente classifica cavernas com indicadores de biodiversidade diferentes. E perceberam que grandes cavernas são importantes reservatórios de biodiversidade, portanto devem ser priorizados em programas de conservação.

Os resultados do estudo também revelam a correlação espacial em todos os pilares de biodiversidade avaliados, indicando que cavernas ferruginosas devem ser tratadas como componentes de uma rede de cavernas imersas na paisagem do carste.

 Por fim a pesquisa mostra que se deve priorizar a conservação dos troglóbios raros, e que o atual sistema de classificação de relevância está minando a biodiversidade global das cavernas e deixando importantes grutas desprotegidas. Os pesquisadores defendem que os esforços de conservação devem focar em habitats subterrâneos como um todo e propõem um esquema de classificação alternativa de relevância, que poderia ajudar a simplificar o processo de avaliação e canalizar mais recursos para a proteção efetiva da biodiversidade global das cavidades.

Fonte: PLOS ONE, 20/12/2016


 

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